poesia e prosa

O lenço

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Lá vem ele com seu andar suspeito, seus olhos a todos despistar, e ainda seus cabelos ao vento,  no sentido e no tato que eu não posso tocar. E no seu manuseio, sua boca, o talento desata a falar, ” estou procurando a moça bonita que vem quando queres, toda formosa, senta no banco e fica a me olhar”.  Sim, era eu, ficava a contemplar a paisagem do meu banco, sem deixar ele me notar, não queria que ele me olhasse ou notasse, de simples relance me pegando de surpresa. Não esperava que ele sentasse no banco naquele dia, vi ele fofocando de lado com um guri safado da banca do seu Anias.  Na hora em que  sentou-se, suspirei bem fundo prometendo-lhe falar, se ele era mesmo o moço bonito que aparecia em meus sonhos nas piores horas para me salvar. Com um lampejo nos olhos, me admirou com brevidade, e o que me dissera me deixou saudade. A moça bonita se entristeçeu, a boneca de pano e ficou de lado, e o seu lenço se mantém guardado.

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7 comentários em “O lenço

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